quarta-feira, 25 de abril de 2012

Você é o que você come - 35º capítulo

Ponto de vista da Vanessa:  


 Ver essa garota de novo me deixou extremamente insegura, já que ela me ameaçou e tudo. Mas de novo, eu tenho o Jason comigo. Não tenho nada a temer. Eu confio 100% nele.  

"V, qual é o problema?" Jason perguntou. 


 "Uh, nada."  


 "Tem certeza? Você parece assustada." Ele perguntou preocupado.


"Aham, vamos levantar." Coloquei minha mão na ponta do lençol e estava quase me descobrindo.  


"Não. Bebê, fica mais um pouco aqui comigo."  


 "Eu preciso arrumar meu quarto e parecer que estive em casa o dia todo doente." Suspirei. Eu estava perfeitamente confortável deitada do lado dele. 


 "Eu vou te ajudar." Jason disse, levantando e colocando a roupa. 


 Me vesti e nós arrumamos o meu quarto. Jason foi embora antes que minha mãe chegasse em casa.  


"Oi, filha. Desculpa por não estar aí mais cedo. Hoje eu vou sair tarde." ouvi minha mãe dizer por mensagem de voz.  Suspirei mais uma vez. Eu vou ter que ficar sozinha em casa por Deus sabe quantas horas. Me senti com entediada, não tinha mais nada pra fazer. Entrei no banheiro pra tomar banho e percebi as marcas vermelhas no meu pescoço ao me olhar no espelho. Toquei uma e senti um arrepio correr pela minha espinha. Liguei a água quente e tomei banho. 


"Mãe, ligue-me quando ouvir essa mensagem." eu deixei-a uma mensagem depois do "beep".  


Eu só queria ouvir a voz dela. Estava debatendo mentalmente se eu deveria ir visitar o Jason ou não. Decidi contra a ideia. Ele precisa de algum tempo sozinho pra respirar. Peguei algo pra comer e fui pra sala assistir tv.  Ouvi meu celular tocando lá em cima e corri pra atender. Quando eu cheguei, a pessoa já tinha desligado. O número era bloqueado, então eu não pude ligar de volta. Desci as escadas de novo, dessa vez com o celular, e sentei pra assistir qualquer merda que estava passando na tv.  


 "Ding dong."  


Quem estaria na minha porta essa hora? Levantei pra atendê-la. Quando abri a porta, não vi ninguém. Será que foi alguma criança brincando de tocar a campainha e sair correndo? Ouvi-a tocar se novo. Corri até a porta de trás pra pegar a criança que estava brincando comigo a essa hora da noite. Abri a porta e um saco foi colocado na minha cabeça. Eu fiz o que uma pessoa normal faria, gritei. Quem diabos me sequestraria a essa hora NA MINHA PRÓPRIA CASA?  Eu estava chutando e gritando quando senti meus pés serem levantados do chão e fui jogada nos ombros de alguém. Eu gritava e implorava pra ser colocada no chão. Não sei nem porque eu me incomodei de fazer isso. Como se eles fossem me colocar no chão só porque eu estava pedindo, né. Meu coração estava batendo como louco contra a minha caixa torácica e meu sangue estava fervendo.  Me senti sendo colocada em algum lugar duro. Acho que atrás de uma van. Merda. Percebi que eu ainda tinha o meu celular, então escondi-o dentro do meu sutiã para que eles não percebessem. O saco foi tirado do meu rosto e eu pude ver as caras dos meus sequestradores. Nenhum deles me parecia familiar. Um cara se aproximou e colocou um pedaço de fita adesiva na minha boca para que eu não pudesse gritar.  Ele depois fechou as duas portas e me deixou no escuro. Ouvi as duas portas da frente abrirem e fecharem ao entrarem no carro. O motor foi ligado e senti os buracos da estrada ao modo que o veículo se movimentava. Eu podia ouvir meu coração batendo. Meu peito apertou enquanto eu rezava e desejava o melhor pra minha família e pro Jason. Meu rosto congelou quando eu lembrei que ainda tinha o meu celular. Tirei-o do sutiã e mandei uma mensagem pro Jason dizendo que eu tinha sido sequestrada dentro da minha própria casa. Mandei outra pra minha mãe dizendo que eu tinha ido pra casa de uma amiga, então ela não se preocuparia se eu não voltasse pra casa essa noite. Eu tinha um terrível pressentimento que eu provavelmente não voltaria. Eu estava quase ligando pro 192 quando ouvi os caras se aproximando. Enfiei o celular de volta no lugar e rezei pra que eles não chegassem nem um pouco perto dos meus seios pra descobrir o que eu escondia ali. Coloquei minha cabeça entre as pernas e me curvei em uma forma de bola.  


 "Saia." o garoto de cabelo escuro me puxou pelo ante-braço e me puxou para fora da van.  


 Soltei um grito de dor e medo. Eu já assisti filmes. Eu fui empurrada para o que parecia uma casada abandonada. Eu não podia dizer aonde eu estava já que estava rodeada pela escuridão. A única luz que existia era a luz da lua crescente a cima da minha cabeça. Rezei para que Jason levasse a minha mensagem à sério e não pensasse que eu estava brincando, me respondendo "Você tá tentando me fazer ter um enfarte?" Falando em receber mensagem, eu tinha esquecido de colocar no modo silencioso, o que significa que se alguém me ligasse agora eu estaria completamente fudida.  


 "Abaixe-se!" o loiro gritou e me empurrou para baixo.  Eles pareciam ter a minha idade. Provavelmente a do Jason, se não, então um pouquinho mais velhos que ele. Não muito. 


 "Por que eu estou aqui?" minha voz tremeu ao perguntar. 


"Porque você é gostosa." o loiro respondeu e eu senti seus olhos nos meus seios.  Eu estava rezando pra que ele não percebesse que o lado do celular estava maior do que o outro.  


 "Com licença?" eu disse, tentando fazê-lo tirar o olho do meu decote. Os olhos dele voltaram para o meu rosto e depois olharam em volta do lugar. Me perguntei por que eu não fui vendada como as pessoas dos filmes normalmente são. E por que os meus sequestradores não cobriram os rostos também.   


"Aqui!" ele balançou a mão no ar para chamar a atenção de alguém.